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Tratamento Especial para o Autismo e as Psicoses Infantis
por Mauro Sergio Stepanies

A psicose e autismo, são grandes distúrbios do desenvolvimento que bloqueiam na criança a formação de vínculos e relação satisfatória com os outros. Ela está tão dominada por seu mundo interno, caótico e angustiado, que tem truncado a sua percepção da realidade externa ao ponto de que as outras pessoas passam a ser sentidas como ameaçadoras. Conseqüentemente elas são levadas a buscar segurança em um mundo próprio, fantasiado e secreto.

As crianças psicóticas captam a realidade de acordo com o próprio mundo, afetado por muitas fantasias. O autismo por ser um estágio mais avançado da psicose infantil, acarreta um bloqueio ainda maior.

"Para os autistas o mundo é aquilo que parece ser..."

Devido a dificuldade de discriminação do tempo, não possuem vontade própria, iniciativa, não conseguem também direcionar a atenção, por isso também, não dirigem o olhar. Se exigirmos que as crianças normais olhem do todo para um ponto específico ou vice versa elas conseguem. "Os autistas não..." Eles possuem um déficit de coerência central.

Segundo o DSM IV estão presentes no Autismo os seguintes sintomas: Acentuada falta de alerta da existência ou sentimento dos outros; Ausência ou busca de conforto anormal por ocasião do sofrimento; Imitação ausente ou comprometida, jogo social anormal ou ausente; Incapacidade nítida para fazer amizade com seus pares; Ausência de modo de comunicação; Comunicação não verbal altamente normal. Em alguns casos os transtornos autísticos estão associados e são decorrentes a condições médicas como: espasmos infantis, rubéola congênita, esclerose tuberosa, lipoidose cerebral e anomalia da fragilidade do cromossoma x, estão entre as mais comuns.

O autismo é definido pela presença de desenvolvimento anormal e/ou comprometido que se manifesta antes da idade de três anos e pelo tipo característico de funcionamento anormal nas áreas de interação social, comunicação e comportamento restrito e repetitivo. O Transtorno é três ou quatro vezes mais frequente em meninos que em meninas. E segundo estatísticas da Organização mundial da saúde uma em cada mil crianças nasce autista.

COMO LIDAR?
Mobilizar a sociedade. Ter consciência que é um problema biológico que afeta a mente com muita gravidade. É uma síndrome cerebral. Não é mística. É importante ter um diagnóstico precoce, pelo menos na idade dos três anos. Psicoeducação para os pais e irmãos. Não enrolar ninguém e nem reservar informação é ou não é autista grave ou não.

A família e os especialistas precisam trabalhar em conjunto. Mudança gradual e comportamental. É necessário a utilização de medicamentos consultando para isso, um profissional especialista da àrea médica. Devemos tratá-los como indivíduos, respeitando suas limitações e o seu jeito de ser, sem discriminação e rotulação.

TRATAMENTO
Sabemos que existem uma série de técnicas, modelos e métodos para o tratamento; Bem como uma série de abordagens. Existem também, novas terapias medicamentosas importantíssimas e que se ministradas por um especialista trarão um grande benefício para o quadro.

Gostaria de apresentar aqui, um modelo de tratamento que venho desenvolvendo à vários anos.

UMA PROPOSTA AFETIVA
Muitas experiências terapêuticas, a maioria até, são efetuadas com crianças vivendo em suas casas. E de fato, acreditamos que se isto for possível, deve ser tentado. Devemos considerar preferível um afastamento periódico da família em raros casos, e circunstância extremas.

"Mas porque tratá-las em um ambiente longe da família..."?

Existem casos que já passaram por uma ou mais experiências psicoterápicas sem evolução satisfatória ao longo de vários anos e o convívio familiar influenciado por repetidas frustrações, chega a um momento de ruptura, no qual um afastamento provisório entre família e criança se impõe como medida restauradora para ambos os lados.

"O tratamento institucional tem como objetivo, curar os impulsos e estabelecer o sentimento de pertinência na criança..."

É necessário um ambiente que ofereça modelos de idenficação saudáveis para estes pacientes, como uma "comunidade terapêutica" onde os mesmos possam ao longo do tempo, de acordo com a condição interna de cada um e suas limitações irem adquirindo um referencial.

Chamamos esta proposta afetiva de "MATERNAGEM" que é um processo atitudinal de base psicanalítica, que visa o resgate ou a reestruturação do processo de formação de identidade em sujeitos com estruturas de personalidade comprometidas como psicose,autismo,etc....

Ela é composta de três processos: a Identificação (ou espelho) que visa o reconhecimento do outro, do corpo e desejo do paciente, descrito por ( J.Lacan), onde a introjeção e a formação do conceito de sí é realizada e dá-se por uma imitação controlada (comportamental) por parte do terapeuta, onde ele age como um espelho ao pé da letra. A Introjeção do mesmo processo e posteriormente a sua Projeção. Acredita-se que cada processo da vida, se desenvolva de acordo com um plano de base bem definido.

Com esta técnica o processo terapêutico ocorre no contato com a referência profissional, favorecendo o desenvolvimento afetivo ou o resgate deste.

Mediante este contato com o profissional de referência irá formar-se um vínculo o qual estimula os indivíduos a se relacionarem com a realidade do seu dia a dia fortalecendo-os para que possam lhe dar melhor com suas angústias em seu desenvolvimento.

Tenho observado ao longo de vários anos tanto no Núcleo de Integração Luz do Sol, que é uma instituição especializada situada em Atibaia/SP, como em outras instituições e clínicas em vários estados, que através desta prática "Maternagem", os indivíduos com diversos tipos de transtornos vem apresentando comportamentos mais adequados ao ambiente e exigências sociais, existindo também o crescimento nas diversas àreas do desenvolvimento.

* Mauro Sergio Stepanies é psicologo pela USF, membro do GEPAPI (Grupo de Estudos e Pesquisas em Autismo e outras Psicoses Infantis). Diretor e fundador do Núcleo de Integração Luz do Sol em Atibaia/SP.


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